Corpo & mente, Filosofia, Intelecto & intuição, Liberdade, Mulher

Conferência: “O tempo do desejo na vida psicofísica feminina”

Conferencia Phosphorus fotos Thiago Gimenes

A conferência ministrada no Phosphorus em São Paulo, dia 02 de julho de 20015, trouxe parte da pesquisa de Fabiana Rodrigues Barbosa sobre como estão vivendo as mulheres habitantes da megalópole paulista. O encontro, com duração de 3 horas, contou com caloroso debate ao final.

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Benefícios do yoga, Corpo & mente, Hormônios, Liberdade, Mulher, Yoga para mulheres

A mulher fragmentada

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Texto: Fabiana Rodrigues Barbosa*
Imagem: Ester 21. Óleo sobre tela de Cesar Biojo** 

Mulheres fragmentadas em uma dúzia de tarefas (todas importantes) a cada meia hora, distúrbios hormonais, eficácia no trabalho, infertilidade, e-mails pelo telefone, ansiedade, stress, olhos ardendo, insônia, sem tempo para o prazer, baixa libido, melancolia, depressão, defensiva, síndrome do pânico, queda de cabelo, acne, hipotonia muscular, cansaço, baixa imunidade, esgotamento nervoso… A vida escoando pelo ralo.

A difícil arte de SER MULHER nos dias de hoje passa pela compreensão de que a natureza feminina é mais cíclica que a masculina, pois vivemos oscilações hormonais que nos lançam a 4 estados completamente diferentes ao longo de apenas 30 dias. De fato a mulher é mais instável internamente. Ela se esforça para administrar tanta oscilação, mas muitas vezes não sabe bem como sair de uma baixa hormonal que a deixa prostrada, ou de um pico energético que a deixa excessivamente agitada e sem saber como canalizar tanta disponibilidade interna.

Como compreender cada um dos estados hormonais em que se é lançada e, ainda melhor, usá-los a seu favor? Como responder adequadamente às demandas sociais e profissionais sem desrespeitar estes estados internos? E mais: como usar estados de emergência de modo a aceitar o vazio em que nos lançam como potencial criativo, como um solo fértil para emersão dos devires, dos saberes internos que, via de regra, nos levarão a caminhar em nosso próprio Dharma (caminho)?

Um dado curioso: a mulher contemporânea que se encontra entre 25 e 45 anos tem como herança cultural uma geração de mulheres que, entre as décadas de 1960 e 70, conquistaram um novo espaço na sociedade por meio de uma espécie de luta. A mulher queria ter direitos que não tinha e arduamente conquistou alguns deles. Esta luta teve um preço: abandonamos valores importantes. Hoje a maioria das mulheres se encontra sobrecarregada com o acúmulo de tarefas que determinou pra si cumprir. Mas vivemos uma sociedade pós-feminista. Já é tempo de relembrarmos a natureza feminina, e reuní-la às conquistas de nossas antepassadas. Nada precisa ser abandonado. Busquemos um equilíbrio. Relativizemos. É possível manter as conquistas sem achatar nossa produção hormonal.

O Yoga pode contribuir com esta difícil arte de ser mulher nos dias atuais, o que passa por compreender como está composta e contextualizada esta identidade biológica, cultural e social do ser mulher, e a partir disto, compor sugestões praticas para o cotidiano, que devem ser adequadas a cada indivíduo do gênero feminino, buscando favorecer sua saúde psico-física e por consequência trazer harmonia para a dinâmica da mulher e do homem que vive com ela neste caldo cultural contemporâneo.

* Fabiana Rodrigues Barbosa é formada em Arquitetura e Urbanismo, professora de yoga e graduanda em Psicologia. É autora de Yoga para mulheres: saber ancestral na vida urbana, título também atribuído ao curso que concebeu e leciona desde 2009 em escolas, centros de educação e cultura de todo o Brasil. Atua nas seguintes áreas: Experiência psicofísica na vida urbana; Yoga para o diálogo mente-corpo (consciente e inconsciente); Yoga para Mulheres.
Saiba mais em seu site: http://www.mokshayogasaopaulo.com.
Para cursos afins, clique aqui.

** Cesar Biojo trabalha com o conceito de tempo, conotando temas inerentes ao ser humano, tais como a criação e destruição, o perecível e o efêmero. Seu trabalho recupera em alguns casos estilos pós-impressionistas, construindo uma linguagem pessoal interessante na cena contemporânea. Tomando como ponto de partida a citação de Jean Paul Sartre, “O olhar do outro que nos torna conscientes de nós mesmos”, seu trabalho torna-se um estudo introspectivo de seres humanos, seus conflitos, sua natureza e existência.

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Dia do homem

DIA DO HOMEM 2

Hoje, 15/07, é Dia Internacional do Homem.

As comemorações foram iniciadas em 1999 por Dr. Jerome Teelucksingh em Trindad e Tobago, apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), e vários grupos de defesa dos direitos masculinos da América do Norte, Europa, África e Ásia.

No Brasil, desde 1992, o Dia do Homem – embora pouco divulgado – é comemorado no dia 15 de Julho, por iniciativa da Ordem Nacional dos Escritores.

Os objetivos principais do Dia Internacional do Homem são:
1. Melhorar a saúde dos homens (especialmente dos mais jovens);
2. Melhorar a relação entre gêneros;
3. Promover a igualdade entre gêneros;
4. Destacar papéis positivos de homens no combate ao sexismo, nas conquistas e contribuições em comunidades, famílias, casamento e criação dos filhos.

Viva!!!

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A sociologia da saúde


“Por aproximadamente 200 anos as ideias ocidentais dominantes sobre a medicina foram expressadas no modelo biomédico da saúde. Este entendimento de saúde e doença se desenvolveu juntamente com o crescimento das sociedades modernas. De fato, ele pode ser visto como um dos principais aspectos destas sociedades. Sua emergência estava intimamente relacionada com o triunfo da ciência e da razão sobre explicações tradicionais ou religiosas para o mundo (vide discussão de Max Weber sobre a racionalização)… (GIDDENS, 2012).”
 
Para compreender melhor o modelo biomédico, consideremos o contexto social em que surgiu. Os tratos com a saúde nas sociedades tradicionais “baseavam-se em remédios, tratamentos e técnicas de cura populares, que eram passadas de geração para geração. Doenças costumavam ser consideradas em termos mágicos ou religiosos, e eram atribuídas à presença de espíritos do mal ou ‘pecado’. Para os camponeses e moradores comuns da cidade, não havia autoridade externa que se ocupasse com sua saúde, na forma dos Estados e sistemas de saúde atuais. A saúde era uma preocupação privada, e não uma questão pública.
A ascensão do Estado-Nação e a industrialização […] gerou uma mudança nas atitudes para com as pessoas locais, que já não eram apenas habitantes da terra, mas uma população submetida ao governo de uma autoridade central […] vista como um recurso a ser monitorado e regulado como parte do processo de maximizar a riqueza e o poder da nação. O Estado começou a ter um interesse maior na saúde da população, pois o bem-estar de seus membros afetava a produtividade. […] O censo foi introduzido para registrar e monitorar as mudanças que ocorriam […] (como) taxas de natalidade, mortalidade, casamento, suicídio, expectativa de vida, dieta, doenças comuns, causas de morte e assim por diante (GIDDENS, 2012).”
 
“Michel Focault (1926-1984) fez contribuição influente para a nossa compreensão da ascensão da medicina moderna, […] a regulação e educação para o corpo pelos Estados europeus (1973). […] a sexualidade e o comportamento sexual […] maneira como a população poderia se reproduzir e crescer, e uma ameaça potencial à saúde e bem-estar. A sexualidade desconectada da reprodução era algo a ser reprimido e controlado (GIDDENS, 2012).”
“A ideia de saúde pública tomou forma na tentativa de erradicar patologiasda população – o ‘corpo social’. […] Toda uma série de instituições, como prisões, albergues, asilos, escolas e hospitais, emergiu como parte do movimento para monitorar, controlar e reformar pessoas (GIDDENS, 2012).”
“A doença passou a ser definida de maneira objetiva, em termos de ‘sinais’ objetivos identificáveis no corpo, ao contrário de sintomas que o paciente sentia. O tratamento médico formal por ‘especialistas’ formados se tornou a forma aceita de tratamento para doenças físicas  ementais (GIDDENS, 2012).”
MODELO BIOMÉDICO
Premissas
Críticas
A doença é um desarranjo do corpo humano, causada por um agente biológico específico.
A doença é uma construção social, e não algo que possa ser revelado pela “verdade científica”.
O paciente é um ser passivo, cujo “corpo doente” pode ser tratado separadamente de sua mente.
As opiniões e experiências do paciente com sua doença são cruciais para o tratamento. O paciente é um ser ativo e “integral”, cujo bem-estar geral – e não apenas a saúde física – é importante.
Os especialistas médicos possuem “conhecimento especializado” e oferecem o único tratamento válido para as doenças.
Os especialistas médicos não são a única fonte de conhecimento sobre a saúde e a doença. Formas alternativas de conhecimento são igualmente válidas.
A arena apropriada para o tratamento é o hospital, onde a tecnologia médica está concentrada e é mais bem empregada.
A cura não precisa ocorrer em um hospital. Os tratamentos que usam tecnologia, medicação e cirurgia não são necessariamente superiores.
Fonte: GIDDENS, 2012. P 284
“Ivan Illich (1975) chegou a sugerir que a medicina modera havia feito mais mal do que bem por causa de iatrogênese, ou ‘doenças autocausadas’.” (GIDDENS, 2012) Os três tipos de iatrogênese descritas por Illich são clínica, social e cultural. Na clínica o tratamento médico deixa o paciente pior ou cria novas condições. Na social a medicina se expande para novas áreas e cria demandas artificial por seus serviços. Esta, leva à iatrogênese cultural, na qual a capacidade de lidar com obstáculos da vida cotidiana é reduzida ou desacreditada por explicações médicas. Um bom exemplo de iatrogênese são os inúmeros relatos de gestantes e parturientes sobre intervenções médicas no processo do parto, que tantas vezes se mostram precipitadas pela escolha de cesariana quando, na verdade, bastava o auxílio de uma parteira experiente para realizar manobras como o desenrolar do cordão umbilical do pescoço do bebê ou mesmo massagens suaves que auxiliam o ‘encaixe’ do feto na pelve, posicionando-o adequadamente para o parto natural.
É claro que pesquisas e avanços tecnológicos da medicina moderna trouxeram inúmeras facilidades para o tratamento e a cura de algumas patologias, mas para críticos como Illich, o âmbito da medicina convencional deveria ser amplamente reduzido. Segundo estes críticos, o “tratamento efetivo somente pode ocorrer quando o paciente for tratado como um ser pensante e capaz, com suas próprias compreensões e interpretações da vida (GIDDENS, 2012).”
Neste contexto, práticas ancestrais desenvolvidas por civilizações orientais, que por serem mais antigas que as ocidentais tiveram mais tempo de aprimorá-las, têm sido progressivamente resgatadas, chamadas de “medicina alternativa”, e incluídas em instituições que durante a modernidade foram consideradas centros de excelência do modelo biomédico, como hospitais e unidades de atendimento básico à saúde, entre outros. Profissionais experientes em homeopatia, acupuntura e fitoterapia são hoje parte das redes credenciadas e  catálogos de planos de saúde.
Há ainda um caminho a ser traçado pelo Yoga neste sentido. O impacto de suas práticas no corpo-mente dos sujeitos, interligando-lhes todos os seus sistemas, está registrado não só em inúmeros textos antigos, desde os filosóficos como os Yoga Sutras de Patãnjali, até mais pragmáticos como Hatha Yoga Pradipika, mas também em teses de cunho acadêmico em grandes universidades contemporâneas como Berkley, na Califórnia (EUA). Estes centros de estudo já chegaram a incluir mestres de meditação como parte do corpo docente. A UCR – University of California Riverside oferece o Programa de estudos especializados em Yoga (Fundamentals of Yoga Specialized Study Program), certificado pelo método Iyengar Yoga.
No Brasil encontram-se algumas iniciativas isoladas. A boa notícia é que foi aprovada uma lei, inclusa na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que prevê o atendimento ao público com práticas de cuidados integrativos, ou seja, os saberes e cuidados tradicionais com a saúde física, mental, emocional e espiritual. Assim, a rede pública pode oferecer como atendimento à população, cuidados e tratamentos como acupuntura, chi kung, reiki, dança circular, ervas, meditação, massagens, entre outros tratamentos, antes chamados de alternativos e que agora são entendidos como complementares. Esta é a transição do modelo biomédico para o pensamento integrado. Não é preciso descartar nenhum saber conquistado, apensas integrá-los, usando-os com parcimônia, conforme a necessidade.
O problema ainda parece ser o senso crítico na hora da escolha pelo tipo de tratamento por parte dos indivíduos. Seja quando  sujeito está na “pele”  de quem será beneficiado, seja quando está na “pele” de  terapeuta ou médico. Esta sabedoria se constrói pela experiência. Permita-se conhecer os recursos disponíveis.  

Referencial bibliográfico: GIDDENS, A. Sociologia. 6ª ed. Porto Alegre: Penso, 2012. 
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“Devemos cultivar nosso jardim.”

A frase acima encerra a obra Cândido ou o otimismo, publicada em 1.759 pelo filósofo iluminista francês Voltaire (1694-1778). Dez anos antes, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo iluminista suíço, publicava aos 37 anos de idade seu Discurso sobre as ciências e as artes. Contemporâneos a um fenômeno de deslumbramento social pelo progresso destas áreas do saber, que hoje fazem paralelo com a tecnologia, ambos registram publicamente há dois séculos e meio, por meio de ironias literárias, sua preocupação com os desdobramentos da crise do modo de produção feudal, a inevitável transição para o capitalismo e suas consequências para a humanidade.
É possível reler Voltaire à luz do pensamento de Rousseau, e a análise do uso da palavra devemos revela que tais pensadores assumem-se como “abre olhos sociais” e estimulam a humanidade a perceber que a maneira como se recorre a conteúdos subjetivos privados é decisiva para guiar  ações diante de situações nunca antes vividas, de modo a manter  coerência às verdades profundas.
A expressão nosso jardim ganha sentidos como nossa verdade, ou nossa almanossa essência mais profunda, única, indivisível, inconfundível e não está à venda. Não está (ou não deveria estar) à mercê de modismos ou rebuscamentos, fantasias ou devaneios, “coroas de flores”, nas palavras de Rousseau, que não contribuam para o REAL bem-estar humano. O que é essencial não confunde-se, não mimetiza-se a padrões locais ou rende-se a modos de ser e de produzir externos a si, só porque em determinados momentos lhes pareçam mais convenientes.

Visto o momento em que a obra foi escrita, a idéia de cultivar indica a ação de, por meio do auto-cuidado, manter-se dono das próprias condições de trabalho e sobrevivência, ou seja, de não subjugar-se e não permitir que senhor algum torne-se dono daquela força vital, daquela mente, daquela alma. Supostamente seria esta uma condição para a vida digna. A metáfora diz respeito à atenção constante, ao exercício das virtudes, ao auto-estudo, ao cultivo do que se tem de mais precioso: a base, a fonte de nutrição e sustentação, a subjetividade privada, a sanidade física e mental individual. Há que mantê-la viva, independente das condições de temperatura e pressão ambientais, da situação do governo, dos modos de produção intelectual vigentes, da mídia e de quaisquer forças opressoras. Quem tem seu jardim interno bem cultivado tem (quase?) tudo.

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