Corpo & mente, Filosofia, Intelecto & intuição, Liberdade, Mulher

Conferência: “O tempo do desejo na vida psicofísica feminina”

Conferencia Phosphorus fotos Thiago Gimenes

A conferência ministrada no Phosphorus em São Paulo, dia 02 de julho de 20015, trouxe parte da pesquisa de Fabiana Rodrigues Barbosa sobre como estão vivendo as mulheres habitantes da megalópole paulista. O encontro, com duração de 3 horas, contou com caloroso debate ao final.

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Corpo & mente, Filosofia, Hormônios, Intelecto & intuição, Liberdade, Mulher, Sexo

Dia do homem

DIA DO HOMEM 2

Hoje, 15/07, é Dia Internacional do Homem.

As comemorações foram iniciadas em 1999 por Dr. Jerome Teelucksingh em Trindad e Tobago, apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), e vários grupos de defesa dos direitos masculinos da América do Norte, Europa, África e Ásia.

No Brasil, desde 1992, o Dia do Homem – embora pouco divulgado – é comemorado no dia 15 de Julho, por iniciativa da Ordem Nacional dos Escritores.

Os objetivos principais do Dia Internacional do Homem são:
1. Melhorar a saúde dos homens (especialmente dos mais jovens);
2. Melhorar a relação entre gêneros;
3. Promover a igualdade entre gêneros;
4. Destacar papéis positivos de homens no combate ao sexismo, nas conquistas e contribuições em comunidades, famílias, casamento e criação dos filhos.

Viva!!!

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Intelecto & intuição
A complexidade do universo jamais poderemos abarcar. Seja o que for que encontremos como suposta verdade, será sempre nosso recorte dela. A grande maioria das forças que nos regem são desconhecidas. A ciência tenta mas não consegue explicar inúmeros fenômenos. O avesso de cada um permanecerá misterioso. Mesmo que se trabalhe incansavelmente para acessá-lo, tornando-se mais e mais íntimo de si, é certo que desse poço sem fundo a surpresa sempre virá. Ainda assim, vale a labuta homérica de seguir mergulhando no abismo, fazendo contato. Depois de cada mergulho, quando uma pequena luz se acende e vemos a boca (a saída) da caverna, voltamos ao mundo com os sentidos um pouco mais límpidos e aguçados pra quem sabe, rever nosso recorte da realidade. É um sem-fim.
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Corpo & mente, Intelecto & intuição

Cartografando a experiência

“A repartição de intensidades”

A Cartografia é a arte de desenhar mapas. Mas pode também ser usada para definir o modos operandi de uma atitude por meio da qual podem ser vividas, vistas, revistas, sentidas, escolhidas e editadas as experiências na vida. Trata-se de uma proposta construtivista, por meio da teoria das multiplicidades, para pesquisa-intervenção e produção de subjetividade, sistematizada pelos pesquisadores brasileiros Eduardo Passos, Virgínia Kastrup, Liliana da Escóssia e Sueli Rolnik, entre outros, em seu livro “Pistas do método da cartografia”. O conceito deriva do pensamento de Gilles Deleuze e Félix Guattari, franceses do século XX, e tem como um de seus importantes marcos o texto Rizoma, publicado inicialmente por D&G de forma isolada em 1980, e que depois tornou-se a introdução da série Mil Platôs, dos mesmos autores.
Rizoma descreve a experiência de cartografar, que seria a produção de uma rede de conexões, com a intenção de mobilizar uma outra leitura, uma outra escuta, ou mesmo a utilização de todos os sentidos ao mesmo tempo enquanto se está em campo de pesquisa. O pesquisador cartógrafo está implicado, mergulhado por inteiro no campo. Ele não é mais apenas observador imparcial, até porque esta idéia é ilusória, já que a própria presença do pesquisador já modifica o meio de pesquisa. O cartógrafo então se coloca disponível dentro deste coletivo de forças, atravessamentos, afetos, nos platôs que são as zonas de intensidade independentes e interconectadas. Esta idéia de rizoma como a raiz de uma planta nos ajuda a entender até mesmo a forma como naturalmente pensamos ou como o conhecimento se organiza, de acordo com a interação com o mundo.
No texto Como criar pra si um corpo sem órgãos, que consta no volume 3 da série Mil Platôs, D&G referem-se ao corpo não funcional, o corpo de intensidades: “O corpo é tão somente um conjunto de válvulas, represas, comportas, taças ou vasos comunicantes: um nome próprio para cada um, povoamento do CsO, Metrópoles que é preciso manejar […]. O que povoa, o que passa, o que bloqueia?”
Muito diferente da proposta de rizoma é a estrutura tradicional de uma pesquisa hierárquica, em forma de árvore, vertical, com começo, meio e fim, uma unidade. Assim é a maioria dos livros produzidos no ocidente, por exemplo. Mas D&G propõem a estrutura aberta e horizontal, rizomática, em que se tem perguntas como pontos de partida, e se mantêm constantemente conexões, guiadas por aquelas perguntas, mas sem um percurso pré-estabelecido. Com o caminhar, ao perceber que se está de novo recaindo numa fórmula engessada, se traça uma linha de fuga, para uma nova e ainda não explorada rota, completamente própria daquele objeto de pesquisa, daquele contexto em seu determinado tempo e com linguagem adequada. Admitindo-se que a realidade não se repete um segundo sequer igual ao outro, não faria de qualquer maneira sentido repetir fórmulas para se chegar a resultados esperados, e sim cria-las conforme as circunstâncias demandam e, em resposta às demandas observadas e captadas pelos sentidos, deixar emergirem respostas.
Sendo assim, não há risco de não se chegar no resultado esperado, pois não há um resultado esperado, e sim a construção das respostas conforme se caminha. A multiplicidade é advinda não só do inconsciente, mas torna-se também parte do processo consciente de percepção e resposta. Rizoma é uma multiplicidade heterogênea sem unidade, mas com a possibilidade de conexão, sem hierarquia, sem centro, sem organização piramidal. O rizoma não produz significação, mas rotas de fuga. É um mapa, resultado de um processo cartográfico, mas é um rascunho sempre, é processo, implica em constante transformação. Até pode ter um planejamento, mas este pode ser modificado conforme se caminha nas conexões, relacionamentos, atravessamentos. Segundo D&G, há muitas entradas possíveis, muitas saídas possíveis. É possível percorrer o caos, o caos é possibilidade, mas se há somente caos absoluto não ocorre produção, e sim apenas loucura.
O rizoma e a árvore não são necessariamente opostos. Dos rizomas nascem árvores, e das axilas dos galhos das árvores podem surgir novas rotas de fuga, dando origem a novos rizomas. Toda árvore é um possível rizoma. Mas todas as linhas de fuga que deram origem a um rizoma sempre são facilmente capturadas pelos padrões. Exemplos disso são, na cultura, o movimento punk, ou o hippie. Portanto cartografar exige esforço constante e incansável.
Sobre os perigos de, ao usar um método tão aberto, perder-se no caminho, tornando-se a construção de respostas inócuas ou anêmicas, D&G alertam sobre a necessidade das injeções de prudência, de se ter algumas linhas ou fios condutores, para haver produção e alguma inteligência. Cartografar forças que compõem determinado fluxo. Para isso é preciso ser capaz de medir e administrar as intensidades, as medidas, pra que as tensões que surgem sejam tensões de relacionamento e não de ruptura, que não possibilitariam pesquisa e criação. Estas medidas não são pré-definidas, mas constituídas ao longo da pesquisa, do caminhar.
A cartografia se opõe à cópia, à reprodução. Mapear é diferente de decalcar. Mapa é produzido ao longo do percurso, como quem está percorrendo um espaço e vai construindo o mapa simultaneamente. É a própria atividade de cartografar. Mas ainda seria possível colocar um novo mapa sobre uma cópia, decalca-lo porém mapear sobre ele. Criar, proliferar, multiplicar sobre a cópia. O rizoma é uma instância de produção de desejo, porque é aberto. E o desejo pode ser usado como fonte de produção. A cartografia é a garantia de que o manejo com as experiências da vida seja legítimo, genuíno, de que não se torne uma cópia, um clone de outras experiências.
 
Referenciais bibliográficos
DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. Rizoma. In Mil Platôs, Vol. 1. São Paulo: Editora 34, 2011.
DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. Como criar para si um corpo sem órgãos. In Mil Platôs, Vol. 3. São Paulo: Editora 34, 1999.
PASSOS, E.; DA ESCÓSSIA, L.; KASTRUP, V. Pistas do método da cartografia – pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2012.

Ps.: Este texto foi inspirado em minhas leituras e notas de aula durante a disciplina “Pesquisa em artes – a cartografia como método”, ministrada pelos professores Renato Ferracini, Sérgio Carvalho e Silvio Galo na pós-graduação do Instituto de Artes da Unicamp, durante o segundo semestre de 2013. 
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Corpo & mente, Intelecto & intuição, Liberdade, Yoga no dia-a-dia

“Devemos cultivar nosso jardim.”

A frase acima encerra a obra Cândido ou o otimismo, publicada em 1.759 pelo filósofo iluminista francês Voltaire (1694-1778). Dez anos antes, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo iluminista suíço, publicava aos 37 anos de idade seu Discurso sobre as ciências e as artes. Contemporâneos a um fenômeno de deslumbramento social pelo progresso destas áreas do saber, que hoje fazem paralelo com a tecnologia, ambos registram publicamente há dois séculos e meio, por meio de ironias literárias, sua preocupação com os desdobramentos da crise do modo de produção feudal, a inevitável transição para o capitalismo e suas consequências para a humanidade.
É possível reler Voltaire à luz do pensamento de Rousseau, e a análise do uso da palavra devemos revela que tais pensadores assumem-se como “abre olhos sociais” e estimulam a humanidade a perceber que a maneira como se recorre a conteúdos subjetivos privados é decisiva para guiar  ações diante de situações nunca antes vividas, de modo a manter  coerência às verdades profundas.
A expressão nosso jardim ganha sentidos como nossa verdade, ou nossa almanossa essência mais profunda, única, indivisível, inconfundível e não está à venda. Não está (ou não deveria estar) à mercê de modismos ou rebuscamentos, fantasias ou devaneios, “coroas de flores”, nas palavras de Rousseau, que não contribuam para o REAL bem-estar humano. O que é essencial não confunde-se, não mimetiza-se a padrões locais ou rende-se a modos de ser e de produzir externos a si, só porque em determinados momentos lhes pareçam mais convenientes.

Visto o momento em que a obra foi escrita, a idéia de cultivar indica a ação de, por meio do auto-cuidado, manter-se dono das próprias condições de trabalho e sobrevivência, ou seja, de não subjugar-se e não permitir que senhor algum torne-se dono daquela força vital, daquela mente, daquela alma. Supostamente seria esta uma condição para a vida digna. A metáfora diz respeito à atenção constante, ao exercício das virtudes, ao auto-estudo, ao cultivo do que se tem de mais precioso: a base, a fonte de nutrição e sustentação, a subjetividade privada, a sanidade física e mental individual. Há que mantê-la viva, independente das condições de temperatura e pressão ambientais, da situação do governo, dos modos de produção intelectual vigentes, da mídia e de quaisquer forças opressoras. Quem tem seu jardim interno bem cultivado tem (quase?) tudo.

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