Filosofia

Sobre atingir o limite

“… buscamos atingir o limite. Os limites têm, por si mesmos, poder de atração tal que o próprio conhecimento parece não existir senão para que façamos a experiência dos limites. Esse é um dos métodos da filosofia. Na medida em que o investigador, inspirado por esse instinto e conduzido por ele, penetra cada vez mais fundo no que é concretamente cognoscível, a filosofia se faz ciência. […] O abrangente […]  reconhecê-lo nenhuma importância tem para o conhecimento científico ligado a objetos. Nenhum conhecimento daí decorre, mas se esclarece nossa consciência do ser. É impossível o salto do intelecto até ele. Ele se vale do intelecto para o transcender, sem perdê-lo. […] É um tipo diverso de experiência de pensamento. Faz-se presente algo que não pode ser apreendido em si pelo pensamento objetivo. […] É um pensamento que, de algum outro lugar, pode iluminar nosso mundo. Visto desse ponto privilegiado, nosso ser-no-mundo adquire profundidade nova.”

JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo: Cultrix, 1965. P. 32.

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Dia do homem

DIA DO HOMEM 2

Hoje, 15/07, é Dia Internacional do Homem.

As comemorações foram iniciadas em 1999 por Dr. Jerome Teelucksingh em Trindad e Tobago, apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), e vários grupos de defesa dos direitos masculinos da América do Norte, Europa, África e Ásia.

No Brasil, desde 1992, o Dia do Homem – embora pouco divulgado – é comemorado no dia 15 de Julho, por iniciativa da Ordem Nacional dos Escritores.

Os objetivos principais do Dia Internacional do Homem são:
1. Melhorar a saúde dos homens (especialmente dos mais jovens);
2. Melhorar a relação entre gêneros;
3. Promover a igualdade entre gêneros;
4. Destacar papéis positivos de homens no combate ao sexismo, nas conquistas e contribuições em comunidades, famílias, casamento e criação dos filhos.

Viva!!!

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Yogues, gregos e psicanalistas

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Templo de Apolo, onde atuava o oráculo de Delfos. Imagem © http://thechestofdreams.blogspot.com.br.

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A inscrição grega na placa acima estava sobre o templo de Delfos, na Grécia (foto acima). Durante mais de 15 séculos, do nascimento ao fim da cultura grega antiga, o Oráculo de Delfos, ou templo de Apolo, serviu como local onde peregrinos vindos das mais diversas latitudes do mundo helênico consultavam as pitonisas, as sacerdotisas oraculares, para saber qual o seu destino, da sua família ou da sua pátria. Delfos tornou-se um dos lugares sagrados mais venerados pelos gregos, sendo que suas previsões e predições tiveram enorme repercussão nos destinos de reis, de tiranos e de muita outra gente famosa daqueles tempos. O interessante é que, para lembra-los de que não se apegassem à imagem do oráculo como objeto externo, já na porta do templo encontrava-se a inscrição que transliterada fica gnōthi seauton ou também gnōthi sauton, em forma contraída da palavra, que significa “conhecete a ti mesmo”. Ou seja, o maior oráculo está dentro de você mesmo.

O pai da psicanálise Sigmund Freud disse “Know the higher self”, traduzido vulgarmente como “Conhece-te a ti mesmo”, mas tem também o significado “Conheça o ser Supremo (que está em você)”. No filme “Freud além da alma”, a personagem de Freud nos lembra que “há dois mil anos estas palavras estavam escritas no templo de Delfos. Elas são o começo da sabedoria. Nelas está a única esperança de vitória sobre o mais antigo inimigo do homem: a vaidade. Este conhecimento está agora a nosso alcance. Iremos usá-lo? Esperemos que sim.”

Freud percebeu que enquanto crianças, somos como animais selvagens, ainda desprovidos da moral criada pela sociedade. Depois apreendemos os códigos morais, e reprimimos nossos instintos, que nos sonhos falam conosco em enigmas, pois são ideias disfarçadas, já fugindo da repressão social. Se conseguimos decifrar estes enigmas, compreendemos nossos verdadeiros instintos e podemos posicioná-los num bom lugar em nossa existência.

Se quisermos relacionar o saber do corpo-mente que o Yoga desenvolve com os preceitos da psicanálise ocidental, podemos ainda lembrar o que Dr. Breuer (tutor e colega de Freud) nos diz. “Um trauma pode fazer a lembrança do incidente sair do consciente, quando se torna insuportável. Lembranças inconscientes criam sintomas porque estão cercadas de emoções que não acham uma saída natural através da consciência. Por exemplo: se você está cheio de pesar, cai em prantos. Zangado, dá um soco. Assustado, corre. A emoção despertada em você é descarregada na ação física. Mas e se a emoção é sufocada, estrangulada? O fogo não sai. Fica latente e enche a sala de fumaça, os corredores, a sala toda e, finalmente, sai por uma janela. Um sintoma mórbido é apenas energia emocional saindo pelo lugar errado.”

E complementa Freud: “Um trauma pode ser constituído de uma catástrofe, um acidente, uma memória ou um conjunto de memórias intoleráveis e conscientes. Haveria um mecanismo psíquico que defenda a mente contra lembranças intoleráveis, como as glândulas linfáticas fazem com uma infecção no corpo? Um mecanismo de repressão que proíbe tais lembranças de irem para o inconsciente e tranca a porta?” A resposta que encontrou foi sim. E daí nasceu sua teoria sobre as neuroses.

Além de Freud, o grande filósofo Michel Focault também revisitou este conceito e citou os gregos em seu texto “A ética do cuidado de si como prática de liberdade”, em: Ditos & Escritos V – Ética, Sexualidade, Política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. Focault diz acreditar que “a prática de si, fenômeno bastante importante em nossas sociedades desde a era greco-romana, não tem sido muito estudada […] Trata-se de uma prática ascética, dando ao ascetismo um sentido muito geral, ou seja, não o sentido de uma moral da renúncia, mas o de um exercício de si sobre si mesmo através do qual se procura se elaborar, se transformar e atingir um certo modo de ser.” E vai ainda mais longe afirmando que trata-se de uma “prática de liberdade”.

O saber yóguico por meio dos Yoga Sutras de Patãnjali fala também de Svadhyaya, ou auto-estudo, que é parte de um conjunto de dicas e preceitos éticos, disciplinas e observâncias (chamados Niyamas) do praticante para com seu mundo interior. Para saber mais sobre Niyamas clique aqui.

Guruji B.K.S. Iyengar praticando Svadhyaya por meio de seus Yogasanas.

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meditação: apenas observe

“Se você quer mesmo se mover em direção ao Real, comece dedicando pelo menos uma hora do seu dia para ficar consigo mesmo. Nessa uma hora, feche os olhos, desligue-se do mundo exterior e, somente observe os pensamentos, as emoções, as sensações – deixe passar. Você é o céu que observa as nuvens. As nuvens sempre são passageiras. As nuvens de pensamentos, de emoções, de sensações… Não importa de onde elas vêm, para onde elas vão. Apenas observe. Quando puder observar aquilo que é transitório sem se identificar, você terá encontrado uma saída desse labirinto.” Sri Prem Baba

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