Ayurveda, Benefícios do yoga, Corpo & mente, Hormônios, Mulher, Sistema urinário, Yoga no dia-a-dia

O Yoga e as mulheres

Yoga é para todos. A prática de yoga Asanas (posturas físicas) deve ser adaptada para o estado de cada corpo, que está diferente não só a cada dia, mas a cada hora.

Você sabe, tudo na natureza tem um ciclo. No caso das mulheres, o ciclo menstrual é feito de alterações hormonais diárias no corpo e na mente. Portanto, se você conhece e respeita a natureza de cada fase de seu ciclo, vai perceber que a prática de posturas de yoga adequadas equilibra seu sistema endócrino e aumenta sua prosperidade física e mental, enquanto as inadequadas podem fazer o oposto.
 
Os hormônios estão ligados às emoções, que impactam na saúde. Por causa deles você pode estar um dia sentindo-se cheia de possibilidades, e no seguinte como que impedida por dentro. Se é comum você sofrer de Tensão pré menstrual, cólicas, dores de cabeça ou nas costas, ou se tem o ciclo e ou fluxo menstrual irregulares, o yoga pode te ajudar e até eliminar estes sintomas, que são obstáculos para seu desenvolvimento pessoal.
 
Uma das principais causas de desequilíbrios é o stress. Ele nos desconecta de nossos estados internos que nos comunicam sobre o que precisamos, e assim perdemos nossa capacidade de auto-cuidado.
 
O yoga desenvolve a capacidade de auto-observação de corpo e mente e promove o equilíbrio entre todos os nossos sistemas. É possível resgatar esta sabedoria ancestral sem perder as conquistas necessárias do mundo contemporâneo. Por exemplo, se você não tem muito tempo, pode dedicar meia hora por dia para uma sequência curta de posturas básicas, realizadas com segurança em casa. Para uma prática de hatha yoga mais completa, procure um professor. Se você sofre de alguma disfunção ou patologia grave, ou se tem sangramentos menstruais e dores muito intensas, ou ausência de menstruação, o yoga também pode te ajudar, mas você deve antes procurar seu médico, diagnosticar os sintomas, e em seguida procurar um professor de yoga capacitado.
 
Estamos preparando uma prática de posturas de Hatha Yoga organizada de acordo com a fase de seu ciclo menstrual. É essencial que isso seja respeitado, caso contrário podem haver diversos desconfortos e malefícios à sua saúde. Mantida esta condição, você pode iniciar em qualquer dia do ciclo e praticar diariamente, se quiser. Os benefícios de cada postura ocorrem instantaneamente, mas também se extendem otimizando as etapas seguintes, o que promove crescentes bem-estar e saúde geral.
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O poder feminino de cura

Na próxima semana, de 22 a 24 de agosto, acontecem em São Paulo três aulas com a monja Maya Tiwari, também conhecida como Mother Maya.
 
Professora espiritual extraordinária e oradora profunda, foi considerada por Bawa Jain, Secretário Geral da Cúpula do Milênio de Paz da ONU, como uma “mãe compassiva cuja sabedoria antiga pode ser aplicada para curar crises no mundo atual.” Um testemunho vivo da eficácia de cura de seus ensinamentos, Mãe Maya libertou-se de um câncer de ovário “terminal” com a idade de 23. Mais de 25 anos mais tarde, tendo sido reconhecida pelo Parlamento das Religiões do Mundo por sua contribuição excepcional à humanidade, ela compartilha a sabedoria de cura que literalmente salvou sua vida em uma educação que inspira atualmente milhares de pessoas em todo o mundo.Seu comportamento simples transcende limites sociais, culturais e religiosos. Ela descarta clichês desatualizados sobre a espiritualidade humana, permanecendo fiel às suas raízes ancestrais. Com o patrimônio de um quarto de século de educação para a saúde, ajuda humanitária e serviços de bem-estar, Mãe Maya é a fundadora da chamada Mother Om Mission, a Wise Earth School, primeira escola para Ayurveda criada em 1981 na América do Norte, e também do Living Ahimsa Foundation, onde Maya introduz a prática extraordinária do voto de Ahimsa (não violência), e é seguida por mais de 147 mil participantes mundo afora, despertando a consciência pessoal e global.

Foi uma das apresentadoras em Conferências Mundiais como o Parlamento de Líderes Religiosos do Mundo em Melbourne, Austrália, dezembro de 2009, onde apareceu ao lado de Dalai Lama; a Iniciativa Global de Paz de Mulheres Líderes Espirituais em Genebra, Suíça e a Cúpula das Nações Unidas da Paz para o Milênio em New York, 2000.
 
É autora de livros de poder como:
– Women’s Power to Heal through Inner Medicine
– The Oracle of Love
– Living Ahimsa Diet: Nourishing Love & Life
– The Path of Practice – a woman’s book of healing with food, breath and sound
– Ayurveda – a Life of Balance
– Ayurveda – Secrets of Healing
 
SERVIÇO
Workshop: O poder feminino de cura
Contexto: parte da programação do evento Yoga pela paz
Datas: de 22 a 24/08/2011
Horário: 14h às 17h
Preço: R$80 cada aula avulsa
Local: Yoga flow. R dina, 100. Vila nova conceição.
Inscrições antecipadas: fone 31685096 ou andrea@marciadeluca.com.br

Para mais informações sobre Maya Tiwari acesse:
 
Texto extraído, traduzido e adaptado do site www.wisearth.org.
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almoço ayurvédico em casa . parte 2

Para hoje tivemos um almoço de preparo expresso. A base foi a mesma de ontem: arroz integral e lentilhas verdes, que já estavam prontos na geladeira desde ontem. Na hora cozinhamos os vegetais e mudamos os temperos e acompanhamentos.

Então foi: arroz integral de açafrão, lentilhas verdes, quiabo e acelga cozidos no vapor e refogados no azeite com sal, Garam Masala e gergelim preto. Acompanha um punhadinho de amêndoas, macadâmias, uvas passas claras e escuras.
Pra quem pediu as receitas, aqui vão. Mas atenção: elas incluem algumas dicas preciosas quanto ao preparo dos alimentos.
Arroz integral de açafrão
Lave e deixe escorrer uma xícara de arroz integral. Coloque para ferver duas xícaras e meia de água. Enquanto isso refogue na panela uma colher de chá de ghee (manteiga clarificada) com meia colher de chá de açafrão e uma pitadinha de sal marinho. Nada de alho ou cebola, segundo os preceitos ayurvédicos. Acrescente o arroz ainda cru e mexa, refogando um pouquinho os grãos no tempero. Junte a água fervente, misture bem, e deixe cozinhar semitampada até secar quase por completo. Desligue o fogo somente quando os grãos ficarem macios. Gosto de deixar úmido, para facilitar a digestão. Se vc mexer um pouco no final, fica quase um risoto.
Lentilhas verdes
Espalhe uma xícara de lentilhas verdes num prato, e despreze as muito escuras, enrugadas ou com aspecto estranho e os possíveis gravetos ou impurezas que estava presentes no pacote. Utilize somente grãos saudáveis. Enquanto isso deixe fervendo duas xícaras e meia de água. Refogue na panela uma colher de chá de ghee (manteiga clarificada) com duas folhas de louro e uma pitadinha de sal marinho. Acrescente a lentilha ainda crua e mexa, refogando um pouquinho os grãos no tempero. Junte a água fervente, misture bem, e deixe cozinhar semitampada até os grãos ficarem macios. Gosto também de deixar úmida, para facilitar a digestão.
Legumes no vapor
Para cozinhar no vapor você coloca dois dedos de água no fundo da panela e encaixa a cestinha de inox pr´pria para acolher os legumes suspensos, pra que não fiquem em contato com a água. Tampe e espere os legumes ficarem macios, porém al dente. Retire a cesta, a água e refogue-os por apenas um minuto em fogo baixo, misturando uma colher de azeite, uma colher de café de sal marinho e o tempero que desejar.
Bom apetite!
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almoço ayurvédico em casa

Sabendo quais são seus Doshas (elementos da natureza que compõem o corpo) você pode escolher os alimentos mais adequados pra si. Nem tudo que é natural te faz bem. Algumas substâncias podem ser incompatíveis com as que habitam em você.

É possível, cozinhando em casa, manter a dieta recomendada para seus Doshas preparando pratos simples e rápidos. Veja nosso almoço de hoje:
1. Cama de agrião para arroz integral de açafrão e lentilhas verdes puxadas no azeite com louro. Tudo bem temperadinho com sal marinho, pimenta do reino e gergelim preto.
2. Panqueca com massa crocante integral de espinafre regada no azeite e Garam Masala (uma misturinha terapêutica de ervas e especiarias: anis, cardamomo, pimenta-do-reino, canela, cravo, noz moscada, gengibre em pó).
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Faxina no corpo!

Com muita massagem, dieta e mudança de hábitos é possível limpar as toxinas do corpo. Veja a experiência de quem fez um tratamento ayurvédico – e ficou com a saúde tinindo! Texto Fabiana Rodrigues Barbosa. Fotos Manuel Nogueira. Publicado originalmente pela Revista Vida Simples, Ed. Abril. Julho de 2009.

“Você gosta mais do tempo quente ou frio?” Sentada na cadeira do consultório, de frente para o médico, me surpreendi com a pergunta. Eu gosto mais do calor, no frio minha sinusite fica pior e os intestinos, mais presos. Então ele me pediu para ficar de pé e colocar a língua para fora. Depois de observála atentamente, contou que havia acúmulo de toxinas em meu corpo. Tomou meu pulso por alguns segundos e disse: “Você é Vata-Pitta, ar e fogo são os elementos da natureza que a regem”. Tudo parecia muito interessante.

Bem, é que essa não era uma consulta convencional, mas com um especialista em ayurveda, a tradicional ciência indiana. Eu o procurei porque andava com baixa imunidade, tinha resfriados constantes, muito cansaço, e sentia que o problema não estava nas gripes, mas no que havia por trás delas. Queria um profissional que pudesse olhar para minha saúde como um todo. E este é justamente o princípio dessa terapia oriental: observar as características físicas e comportamentais de cada pessoa e levar em conta os hábitos alimentares e do cotidiano para fazer seus diagnósticos.

O local era São Paulo, mas meu médico aprendeu na Índia, há muitos anos, como identificar por meio do pulso a proporção dos doshas – Vata, Pitta ou Kapha, que correspondem aos elementos da natureza que compõem os seres vivos. Vata representa ar e éter (seco, leve e frio: geralmente pessoas com atividade mental acelerada, de cabelo e pele claros e secos). Pitta, fogo e água (quente, oleoso e leve: pessoas ágeis e enérgicas). E Kapha, terra e água (úmido, pesado e frio: pessoas lentas, pele oleosa, estrutura óssea grande). Segundo a tradição indiana, todos temos uma mistura dos três tipos, e normalmente um ou dois em maior proporção. Mas quando estão em desequilíbrio sofremos uma série de desconfortos – é aí que aparecem as doenças.

Ayurveda significa em sânscrito “ciência da vida”, e faz parte dos Vedas (antigos textos sagrados da Índia), um extenso conjunto de práticas preventivas e de tratamentos para uma vida mais equilibrada. Surgiu há mais de 3 mil anos e desde então influencia o pensamento filosófico dos indianos. Ainda hoje é praticada em larga escala, principalmente no sul do país.

No Brasil, é possível encontrar profissionais que trabalham com essa medicina em clínicas particulares especializadas. Mas, segundo Danilo Maciel Carneiro, diretor da Associação Brasileira de Ayurveda, o Ministério da Saúde está avaliando a possibilidade de incluir o ayurveda na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, que já inclui a homeopatia, a medicina tradicional chinesa, a antroposofia e a fitoterapia.

Meu médico chegou ao diagnóstico depois de me entrevistar e descobrir como é meu estilo de vida, meus gostos, meus hábitos – além de observar meu tipo físico e fazer um exame médico convencional ali mesmo na clínica, com atenção especial para língua, pele, olhos e pulso. Conclusão: estava fora dos eixos. Como tratamento, me propôs uma limpeza das toxinas, usando um método chamado Panchakarma, ou “cinco ações”, que são: limpeza de toxinas acumuladas na cabeça (vias nasais, boca, olhos e ouvidos) com aplicação de substâncias medicinais como óleos, sucos de plantas e inalação de fumaça; e alguns bem radicais como a indução de vômito; a ingestão de ervas para provocar uma limpeza do trato digestivo; a limpeza dos intestinos com óleos e líquidos; e a purificação do sangue, por meio da retirada de um certo volume – para que um sangue novo seja produzido rapidamente, melhorando o fluxo sanguíneo. “Qualquer uma das cinco ações requer uma cuidadosa etapa preparatória do corpo antes de ser realizada”, diz o médico Luiz Guilherme Correa Neto, especializado em psicanálise, homeopatia e certificado em ayurveda.

O tratamento só pode ser praticado com orientação médica e há casos em que é contraindicado: pessoas acima de 70 anos, mulheres grávidas, crianças, obesos, pessoas com a saúde muito debilitada, entre outros. “É preciso haver um mínimo de saúde e vigor para que o corpo consiga fazer o trabalho”, diz Luiz Guilherme. Pode-se realizar o tratamento completo ou uma parte dele – como foi o meu caso. Fiz apenas a limpeza do sistema digestivo.

Pré-tratamento

Recebi uma lista de orientações para diminuir o nível de toxinas no meu corpo. Segundo o ayurveda, cada pessoa processa melhor alguns tipos de alimento que outros – depende do seu tipo (ou dosha). E eu achava que qualquer alimento natural seria benéfico à saúde – mas a comida e a maneira de preparo também devem seguir os tipos físicos. Por exemplo, leite é excelente para Vata, desde que tomado quente, em pequena quantidade e com especiarias. Mas é de difícil digestão para Kapha, por induzir a formação de muco, que já é tendência desse dosha, e acaba ficando em excesso. O próprio organismo, sobrecarregado e no esforço de administrar o desequilíbrio, acaba produzindo toxinas. Eu deveria evitar carnes de qualquer tipo, ovos, alimentos processados e artificiais, refrigerantes, álcool, tabaco, café em excesso e outros estimulantes, farinha e açúcar refinado, adoçantes artificiais, alho, cebola, condimentos fortes e alimentos cozidos em microondas. Em paralelo, tomei chás com ervas medicinais por cinco dias, indicadas para estimular a digestão. E não era só isso. Deveria evitar fazer refeições em ambientes barulhentos ou comer rapidamente, lendo ou assistindo TV. Ao longo dos 40 dias de tratamento, foram acrescentadas mais restrições, até que na última semana eu deveria comer somente legumes pouco cozidos e com pouco sal. Mas não para por aí: além das toxinas que ingerimos, existem as produzidas pelo nosso corpo. Por isso só depois de 40 dias de mudanças de hábitos alimentares que eu iria de fato começar o tratamento.

Mudança de hábitos

A minha rotina também iria mudar drasticamente: eu deveria acordar meia hora antes de o sol nascer, beber uma xícara de água morna com gotas de limão e mel, fazer o intestino funcionar, escovar os dentes raspando a língua com haste flexível, tomar banho morno lavando a cabeça com água fria, hidratar e aquecer meu corpo com óleo de amêndoas, vestir roupas limpas e confortáveis, fazer uma prática física de baixo impacto, meditar e só então me alimentar da forma orientada. No meio da manhã comeria uma fruta e tomaria um chá digestivo com gengibre 30 minutos antes do almoço. O horário ideal da refeição era por volta do meio-dia e, se batesse uma fominha, comeria outra fruta durante a tarde. O jantar leve seria às 19 horas, e terminaria o dia com uma caminhada, conversas agradáveis, música suave ou leituras espirituais. Antes de deitar, alguns minutos de meditação, automassagem suave com óleo de gergelim aquecido no topo da cabeça e planta dos pés por 5 minutos. Por fim, tomaria um copo de leite quente com cúrcuma ou gengibre para dormir, no máximo, às 23 horas.

Ou seja, de uma vida social agitada, festas, muito trabalho, poucas horas de sono, práticas físicas vigorosas e alguns vícios como açúcar e café, comecei a desacelerar. Os amigos foram avisados de que eu entraria numa espécie de reclusão, da qual muito provavelmente voltaria com vontade de substituir antigos hábitos. Mudanças são pequenas mortes, então assisti a situações nas quais eu estava antes inserida acontecerem sem mim. Por 40 dias, eu tive que fazer minha própria comida (obviamente nenhum restaurante tinha uma refeição de acordo com minha lista de restrições), levá-la na marmita para o trabalho, dormir enquanto as pessoas se encontravam e deixar o conforto das cobertas na cama muito cedo. Quando se vive numa cidade como São Paulo, essa atitude parece radical. A adaptação foi difícil, com escapadelas e recaídas durante o processo. Inevitável, o salto era grande demais.

De fora para dentro

Na terceira semana, comecei a receber massagens com óleos. Mas antes fiz o que é chamado de oleação interna: por cinco dias de manhã, em jejum, eu tinha que ingerir uma xícara de café de ghee líquido morno (manteiga purificada) misturado com cinco ervas muito amargas em pó. Essa foi dureza. Depois sim, a oleação externa – e muito mais gostosa: por mais cinco dias, uma seção matinal diária de uma hora e meia de massagens a quatro mãos, com uma quantidade abundante de óleos, realizadas por terapeutas especializados. Ao fim de cada sessão, vem o shirodhara, outra maravilha: ainda deitada na maca, um óleo espesso e morno era gentilmente derramado em fluxo contínuo sobre minha testa e escorria para a parte de trás da cabeça. A sessão, que pode durar até 40 minutos, deixa a mente totalmente relaxada. No fim, eu bebia uma xícara de chá digestivo e entrava numa sauna onde minha cabeça ficava para fora, para eliminar as toxinas pela pele.

Esvaziar e limpar para poder encher de novo. Esse é o princípio da penúltima etapa, a purgação de fato, feita num único dia. Pela manhã, em jejum, tomei ervas medicinais purgativas e óleo de rícino, que estimulam a evacuação e esvaziam completamente os intestinos. Para manter a hidratação ao longo do dia, bebia água morna pura. “É um processo natural, fisiológico e autolimitado, ou seja, cessa sozinho após cinco ou seis idas ao banheiro, quando não há mais o que expelir”, diz Luiz Guilherme. No fim do dia, já podia comer pequenas porções de papa de arroz. Foi um dia de resguardo, fiquei em casa com conforto, me sentindo muito bem, nada fragilizada como imaginava, porque meu corpo já estava preparado e forte.

O que fica e o que sai No pós-tratamento, continuei mais uma semana com a dieta prescrita no início, práticas leves de ioga e meditação. Depois voltei gradualmente à rotina, pois o corpo fica muito sensível, e qualquer toxina leve (como cafeína, açúcar e álcool) pode causar muito mais desequilíbrio que antes.

Os benefícios foram muitos: ganho de vigor físico e mental, equilíbrio emocional, melhor qualidade do sono e o principal: a ampliação da consciência do meu corpo. Num primeiro momento, alguns de meus antigos maus hábitos voltaram e, com eles, o desequilíbrio. Fiz revisões, mas precisei aceitar que hábitos necessitam de tempo, vontade e atenção para serem modificados. Quase tudo o que a gente tem para aprender está mesmo dentro da gente – e, por mais difícil que pareça, esse encontro vale o esforço. Nem que leve uma encarnação inteira, ou várias, como acreditam os indianos.

Extras
Associação Brasileira de Ayurveda: www.ayurveda.org.br
Hospital de Medicina Alternativa de Gioânia: www.hma.goias.gov.br
Instituto Kerala Ayurveda Chikitsalayam, de Puna, na Índia: www.keralayurveda.com

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Alimentação, Ayurveda, Mulher

Alimentos de cura para as fases da mulher, segundo o Ayurveda

Por Sabrina Alves[1]

“Que Devi Tripura, conhecendo cada um intimamente, como centro consciente do coração, salve, sem demora, seus inabaláveis devotos das garras da morte, depois de Se manifestar no coração dos mesmos.”[2]

O Ayurveda concentra sua atenção no fluxo, assim como no sistema de canais que a Natureza criou para enquadrar tudo àquilo que ingerimos e expulsamos em cada um dos níveis de energia. A vida é encarnada é basicamente uma questão de fluxo, já que a vida só é possível quando há substâncias e energias que, com perícia e continuidade, entram e saem do organismo.[3]

Esta ciência percebe as mudanças da vida, como na adolescência, uma fase em que os três doshas poderão se desarmonizar. A mulher por si carrega além dos demais canais que tem nos homens, o canal responsável pela amamentação (nutrição) e o da menstruação. Esta última responsável por colocar a mulher em condições mensais de possível instabilidade.

Considerando que cumprimos nosso Dharma ao nos alimentarmos com alimentos sadios e puros, para o Ayurveda o cumpriremos melhor ainda se utilizarmos as nossas fases de transição que se apresentam nos anos de menstruações onuvulatórias; dos fluxos completos e a sexualidade; gestação e pós-parto e por fim, a menopausa com a utilização consciente dos alimentos das estações do ano para as nossas “estações pessoais”.

Muitas mulheres se encontram viciadas em alguns alimentos quem crêem que necessitam. As Vatas gostam de açúcar, pois lhe proporcionam temporariamente estimulação e satisfação instantâneas. As Pitas costumam preferir carne, álcool e os alimentos gordurosos. Salgados, azedos e picantes que as colocam profundamente impulsivas. Os Kaphas por sua vez, procuram alimentos pesados e gordurosos que reforcem sua inata satisfação de si mesmos.

::Fase Kapha:: 

Antes da menarca: a menina deve ser alimentada à base de folhas e vegetal frescos, porém é preciso ressaltar na dieta alimentos doces e nutritivos. Como leite de amêndoa, de gergelim, de aveia e de germem de trigo. Evitar, terminantemente, todas as frituras, alimentos refinados e processados, bem como carnes com hormônios embutido. Isso garantirá mais e melhores anos ovulatórios ao longo da sua vida.

::Menstruação e Problemas menstruais::

Antes da menstruação
Na semana anterior a menstruação a mulher deve-se manter atenta a sua reserva de sais minerais. Indicado o uso de caldo de missô na janta, com alho cru, limão e salsa ou cebolinha fresca. A intenção é ajudar o fígado a se depurar. O que se deve comer:
*Arroz integral cateto. Painço e Quinua (menos as Pitas)
*Vegetais: cenoura, nabo comprido, rabanete, chuchu, vagem, quiabo, jiló, maxixe, pepino, aipo, funcho, cebola, alho, gengibre, alho-poró.
*Folhas: todas as escuras.
*Algas marinhas, muito nutritivas e são rejuvenescedoras.
*NADA DE SAL
*Manteiga sem sal – ghee orgânico de preferência e com moderação.
*Chás para o fígado: boldo (em moderação para as Vatas), neem (para as mais Pitas e kaphas)
*Dolomita – cálcio e magnésio.
*Leite de aveia e/ou de gergelim ou de gérmen de trigo. Dependerá do biótipo. 

Durante a menstruação
Deve acompanhar o processo do corpo de eliminação. Desta forma, é indicado que faça uso de alimentos leves, porém nutritivos de folhas escuras levemente refogadas, como escarola, folhas de espinafre, folhas de brócolis, sucos frescos; grãos leves como arroz basmati, painço, cucuz e, ainda tofu. Portanto, deve-se eliminar durante esta fase toda e qualquer fritura, carnes e farináceos processados. Todos responsáveis pela baixa da imunidade da mulher, abrindo as portas para entrada de vírus e demais desordens. 

Rejuvenescimento do Ventre Pós-menstruação
O ideal nos dias que seguem o término da menstruação são os sucos verdes e sucos mistos de frutas vermelhas, de Hibiscos, de amora, de framboesa e de uva orgânico natural. 

Algumas desarmonias: Candidíase: Aqui a indicação não é só do que comer, mas e, principalmente do que não comer para evitar: produtos enlatados até mesmo os vegetarianos, farináceos processados e brancos, carnes gordurosas, queijo e leite não orgânico. Alem de frutas doces, vinagre, qualquer coisa que tenha fermento, bebidas alcoólicas, chocolate, café e chá preto. Ela se alimenta basicamente de açucares deixando a célula oxidada por falta de sais minerais e vitaminas. Então, seguindo a dieta antes da menstruação, ajudará e muito a evitar a incidência da candidíase.
Cólicas menstruais: Vez ou outra pode ser normal. Sempre, indica que algo está sendo processado errado. E pode ser em qualquer nível. Entre os vários fatores externos, como tampões, absorventes descartáveis, calças apertadas, fígado sobrecarregado, está a prisão de ventre. Deve-se evitar comidas requentadas, frias e de natureza frias como laranja, tangerina, abacaxi; ovos, algas marinhas, café, chá preto, chá mate, guaraná em pó, açúcar, sal, refrigerantes e gelados além de Gordura animal.
Recomenda-se tomar:
*leite de gérmen de trigo
*dolomita (cálcio e magnésio). O cálcio cai muito antes da menstruação e pode ser umas das causas da cólica.

Conservação da Flora Vaginal, Fortalecimento do útero e Sexualidade
Ideal sempre buscar a manutenção da elasticidade da mucosa da vagina. Para isso indica-se o uso regular de gérmen de trigo. Desde a bebida láctea feita dele até seu uso em pratos. Contém altas concentrações de vitamina E, o que ajuda a promover a elasticidade e firmeza da mucosa da vagina. E, também, por ser rico em sais minerais também evita a queda da imunidade durante as fases de instabilidade.

::Fertilidade::
Pelo Ayurveda uma das maiores causas de infertilidade é o ambiente muito Pita do organismo da mulher causado pelo estilo de vida com mil funções e, desta, maneira sem espaço para a gravidez. Além do uso excessivo de alimentos de acidificam o organismo, como álcool, carnes, cigarro, processados e enlatados. Desta forma, para a promoção e aumento da fertilidade alem de ter seguido um estilo de vida priorizando os alimentos antes descritos, deve-se desacelerar com a intenção e alcalinizar.

::Durante a gravidez::
A mulher grávida deve seguir uma dieta balanceada. Deve comer produtos que promovam o equilíbrio das três forças vitais (Vata, Kapha e Pita) em seu corpo e evitar os que estimulem desarmonia.

Por exemplo, ela deve ingerir mais legumes como cenoura, nabo, abobrinha e saladas refogadas, bem como sopa de feijão-mungo (ou canja de galinha caipira para as não vegetarianas) leite orgânico, ghee e iogurte orgânico natural – este último, porém, não deve ser consumido em excesso à noite. É bom que se evite a ingestão em excesso de alho e cebola. O uso do gengibre fresco com vegetais é altamente recomendado, pois auxilia a estabelecer o equilíbrio. Um prato preparado com legumes variados, arroz e um pouco de ghee, junto com condimentos como cominho, anis, gengibre e pimenta, é recomendável. Alimentos líquidos nessa fase de nutrição do feto por percolação é muito benéfico como sopas e mingaus.

Deve-se evitar o uso freqüente de alimentos com sabores acentuados, ou seja, doce, amargo, picante, adstringente, acido ou salgado.

Prisão de ventre na gravidez: a incidência é muito perigosa. Para tanto, a prática de beber de 02 a 03 copos de água morna pela manha seguida de uma caminhada suave, principalmente no ultimo trimestre, manterá Vata em equilíbrio.
 

::Pós-parto::
Deve-se concentrar em alimentos que a rejuvenesçam, porém alimentos leves e muito nutritivos. Além das bebidas lácteas ditas antes, deve-se acrescer noz-moscada, canela e ghee orgânico, devido à pré-disposição da mulher à desarmonia Vata. Alem disso é um momento que deve ser vivenciado, pois do contrário trará problemas para a mulher e a criança.

::Menopausa::
Além de todos os citados acima, é benéfico o uso de cebolinha, pois regula a temperatura do corpo, alem de pepino, laranja, tangerina, pêra e melancia. Muito benéfico o uso das bebidas lácteas citadas, são leves e muito nutritivos promovendo e revitalizando Ojas.

A proposta é usar os alimentos oferecidos pela natureza em forma de cura para as nossas necessidades, para que dessa forma, cumpramos nossos propósitos de vida. Estaremos cumprindo um conceito védico de dana ou “generosidade”, ou seja, daremos algo de volta à Mãe Natureza.


[1] Sabrina Alves: www.ayurvedaparamulheres.blogspot.com. Fonte: Instituto Naradeva Shala. Trecho da palestra feita no VI Encontro Carioca de Ayurveda da ABRA – Associação Brasileira de Ayurveda.
[2] Tripura Rahaya.
[3] Svoboda, Robert E. Ayurveda para las Mujeres. Ed. Kairos. No mês de Julho de 2010, o Dr. Robert Svoboda é o convidado especial do Curso Avançado de Ayurveda em Cuidados à Saúde da Mulher. Para obter mais informações sobre o assunto, entre no site: http://www.naradeva.com.br

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Faxina no corpo!

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