Benefícios do yoga, Corpo & mente, Hormônios, Liberdade, Mulher, Yoga para mulheres

A mulher fragmentada

Cesar_Biojo_-_ester21

Texto: Fabiana Rodrigues Barbosa*
Imagem: Ester 21. Óleo sobre tela de Cesar Biojo** 

Mulheres fragmentadas em uma dúzia de tarefas (todas importantes) a cada meia hora, distúrbios hormonais, eficácia no trabalho, infertilidade, e-mails pelo telefone, ansiedade, stress, olhos ardendo, insônia, sem tempo para o prazer, baixa libido, melancolia, depressão, defensiva, síndrome do pânico, queda de cabelo, acne, hipotonia muscular, cansaço, baixa imunidade, esgotamento nervoso… A vida escoando pelo ralo.

A difícil arte de SER MULHER nos dias de hoje passa pela compreensão de que a natureza feminina é mais cíclica que a masculina, pois vivemos oscilações hormonais que nos lançam a 4 estados completamente diferentes ao longo de apenas 30 dias. De fato a mulher é mais instável internamente. Ela se esforça para administrar tanta oscilação, mas muitas vezes não sabe bem como sair de uma baixa hormonal que a deixa prostrada, ou de um pico energético que a deixa excessivamente agitada e sem saber como canalizar tanta disponibilidade interna.

Como compreender cada um dos estados hormonais em que se é lançada e, ainda melhor, usá-los a seu favor? Como responder adequadamente às demandas sociais e profissionais sem desrespeitar estes estados internos? E mais: como usar estados de emergência de modo a aceitar o vazio em que nos lançam como potencial criativo, como um solo fértil para emersão dos devires, dos saberes internos que, via de regra, nos levarão a caminhar em nosso próprio Dharma (caminho)?

Um dado curioso: a mulher contemporânea que se encontra entre 25 e 45 anos tem como herança cultural uma geração de mulheres que, entre as décadas de 1960 e 70, conquistaram um novo espaço na sociedade por meio de uma espécie de luta. A mulher queria ter direitos que não tinha e arduamente conquistou alguns deles. Esta luta teve um preço: abandonamos valores importantes. Hoje a maioria das mulheres se encontra sobrecarregada com o acúmulo de tarefas que determinou pra si cumprir. Mas vivemos uma sociedade pós-feminista. Já é tempo de relembrarmos a natureza feminina, e reuní-la às conquistas de nossas antepassadas. Nada precisa ser abandonado. Busquemos um equilíbrio. Relativizemos. É possível manter as conquistas sem achatar nossa produção hormonal.

O Yoga pode contribuir com esta difícil arte de ser mulher nos dias atuais, o que passa por compreender como está composta e contextualizada esta identidade biológica, cultural e social do ser mulher, e a partir disto, compor sugestões praticas para o cotidiano, que devem ser adequadas a cada indivíduo do gênero feminino, buscando favorecer sua saúde psico-física e por consequência trazer harmonia para a dinâmica da mulher e do homem que vive com ela neste caldo cultural contemporâneo.

* Fabiana Rodrigues Barbosa é formada em Arquitetura e Urbanismo, professora de yoga e graduanda em Psicologia. É autora de Yoga para mulheres: saber ancestral na vida urbana, título também atribuído ao curso que concebeu e leciona desde 2009 em escolas, centros de educação e cultura de todo o Brasil. Atua nas seguintes áreas: Experiência psicofísica na vida urbana; Yoga para o diálogo mente-corpo (consciente e inconsciente); Yoga para Mulheres.
Saiba mais em seu site: http://www.mokshayogasaopaulo.com.
Para cursos afins, clique aqui.

** Cesar Biojo trabalha com o conceito de tempo, conotando temas inerentes ao ser humano, tais como a criação e destruição, o perecível e o efêmero. Seu trabalho recupera em alguns casos estilos pós-impressionistas, construindo uma linguagem pessoal interessante na cena contemporânea. Tomando como ponto de partida a citação de Jean Paul Sartre, “O olhar do outro que nos torna conscientes de nós mesmos”, seu trabalho torna-se um estudo introspectivo de seres humanos, seus conflitos, sua natureza e existência.

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